quarta-feira, 23 de junho de 2010

Deficiência Auditiva

A Deficiência Auditiva representa uma privação sensorial e pode ser descrita a partir das suas características orgânicas. A classificação deste défice é realizada tendo em conta a localização da lesão, o momento em que tem início e o grau de severidade.

Classificação consoante a localização da lesão:

• Deficiência Auditiva de Condução: a lesão está localizada ao nível do ouvido externo ou médio. Nesta situação, o ouvido interno funciona normalmente mas não é estimulado pela vibração sonora. Na maior parte dos casos, podem ser corrigidas através de tratamentos clínicos ou cirúrgicos.

• Deficiência Auditiva Neurossensorial: a lesão está no ouvido interno e verifica-se a impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da cóclea ou do nervo auditivo. Este tipo de deficiência auditiva é irreversível.

• Deficiência Auditiva Mista: é o resultado de uma lesão no ouvido externo ou médio e, simultaneamente, no ouvido interno.

Classificação quanto ao momento em que tem início

• Deficiência Auditiva pré-lingual ou pré-linguística: inicia-se aquando o nascimento, ou numa fase em que criança ainda não adquiriu linguagem.

• Deficiência Auditiva pós-lingual ou pós linguística: a perda de audição ocorre numa fase em que a linguagem e a fala já se encontram adquiridas.

• Deficiência Auditiva peri-lingual ou peri-linguística: a perda auditiva ocorre na fase em que a criança está a adquirir linguagem.
O prognóstico da intervenção em casos de Deficiência Auditiva pós-lingual é mais favorável do que nos outros dois casos. Isto porque, estando a linguagem já adquirida, serão menos as repercussões no desenvolvimento dos vários domínios linguísticos.

Classificação quanto ao grau de severidade
A Deficiência Auditiva pode ainda classificar-se relativamente ao grau de severidade, tendo em conta a perda observada:

• Deficiência Auditiva Leve: 26 a 40 dB. Embora não se verifiquem problemas significativos, podem ocorrer a) dificuldades ao nível da articulação em consequência da discriminação auditiva insuficiente de alguns traços fonéticos, b) desatenção na sala de aula e c) dificuldade em ouvir sons de baixa intensidade, distantes e sussurrados. A maioria das vezes estes problemas não são percebidos pela família.

• Deficiência Auditiva Moderada: 41 a 70 dB. Surgem dificuldades de compreensão em meios ruidosos. A linguagem aparece de forma natural e espontânea mas, geralmente, com um atraso em relação ao padrão normal. Podem, concomitantemente, ocorrer alterações da voz e da articulação. No entanto, com o uso precoce de ajudas técnicas adequadas juntamente com o apoio da terapia da fala e de professores especializados, a linguagem pode desenvolver-se normalmente.

• Deficiência Auditiva Severa: 71 a 90 dB. É possível ouvir sons próximos e de elevada intensidade e existe a necessidade de amplificação. O desenvolvimento da linguagem encontra-se comprometido, mas com uma intervenção precoce é possível conseguir uma articulação inteligível e uma compreensão de nível funcional se forem aproveitados os resíduos auditivos e desenvolvida a capacidade de leitura de fala.

• Deficiência Auditiva Profunda: a partir de 90 dB. A compreensão verbal encontra-se totalmente dependente da leitura de fala sendo, nesta situação, extremamente difícil a aquisição da linguagem oral.

Publicado por Sara Sanches (Terapeuta da Fala)

sábado, 12 de junho de 2010

FIFA.com - Transmissão dos jogos da Taça Mundial de 2010, com tradução de gestos internacionais


Pela primeira vez será feita a transmissão do site oficial da FIFA e da Taça Mundial da FIFA que permitirá que as pessoas com necessidades auditivas (pessoas surdas e Deficientes auditivas) em todo o mundo assistam aos 64 Jogos de 2010 FIFA, relatos ainda mais abrangentes.
“O futebol é um desporto universal e deve ser acessível a todos. Portanto, temos o prazer de oferecer este serviço de interpretação destinado às pessoas com necessidades auditivas.”
“Ao produzir estes vídeos sobre os resumos dos jogos, com os gestos internacionais, a FIFA está a satisfazer cerca de 70 milhões de pessoas com necessidades auditivas.”
Joseph S. Blatter, Presidente da FIFA
O Gestos Internacionais designadamente em inglês de Internacional Sign, IS, própria da comunidade surda, é como a língua esperanto em que a comunicação através de diferentes línguas gestuais é como uma comunicação alternativa, nos encontros internacionais, por exemplo: nos Congressos Mundiais da Federação Mundial de Surdos, nos Jogos Surdolímpicos, entre outros eventos.
Na Federação Mundial de Surdos, FMS, na designação em inglês de World Federation of the Deaf, WFD, representa aproximadamente 70 milhões das pessoas surdas e deficientes auditivas de todo o mundo, que assistem nas suas línguas gestuais, mais especificamente nas áreas da Educação e Comunicação.
Todos resumos dos vídeos nos jogos com interpretação estarão disponíveis no site oficial da FIFA, FIFA.com, logo depois de cada jogo.
Tradução: Helder Duarte e Tânia Martins

http://surdotv.com/wordpress

Publicado por Salete Bento

domingo, 6 de junho de 2010

Deficiência: O que significa ter um estigma.

Nos estudos sociológicos sobre indivíduos estigmatizados, Goffman  diz-nos que o indivíduo que na relação social possui atributos, traços físicos e psicológicos diferentes do normal, encontra-se estigmatizado.
Com efeito, é nas interacções sociais que a pessoa com deficiência dá a conhecer o seu comportamento, o seu raciocínio, as sua limitações, sendo considerada um indesejável, uma pessoa diminuída. Este processo de estigmatização social, associada muitas vezes a comportamento do tipo discriminatório, afecta a identidade pessoal do indivíduo ficando desacreditado para as questões de relacionamento social. Alguém com um estigma é afastado do meio social através de várias discriminações que, mesmo inconscientemente, estão a reduzir as possibilidades e alternativas de vida que um indivíduo com uma deficiência possa ter. Podemos então questionar como é que a pessoa com deficiência lida com esta discriminação social?
Pode ocorrer que o indivíduo, na sua relação com o outro, se confronte com o seu ego e se auto-deprecie, sentindo o efeito de estigmatização, levando-o a proteger-se em comportamentos do tipo defensivo, que nem sempre são bem aceites socialmente.O medo de lidar com os outros, de ser interpretado pelos seus erros, fá-lo temer o confronto social.
A própria família, para lidar com a discriminação, constrói modelos de acção, adoptando comportamentos de super protecção, de fuga, de recusa, de culpabilização, de controlo, de defesa e ou de ilusão que importa reflectir e analisar sobre cada um deles.
Salete Bento

segunda-feira, 31 de maio de 2010

1 de Junho - Dia Mundial da Criança

Desenho de Francisco Goulão


Publicada por Salete Bento

terça-feira, 25 de maio de 2010

"À Volta da Criança com Surdez - Vivências e Estratégias de Intervenção

«No passado dia 21 de Maio, integrado na comemoração do X Aniversário, a Associação de Surdos da Guarda – Despertar do Silêncio promoveu o debate: “À Volta da Criança com Surdez – Vivências e Estratégias de Intervenção!”. Houve casa cheia no auditório da Câmara Municipal da Guarda, onde quase duas centenas de jovens alunos, professores e profissionais das escolas de todo o distrito, com destaque para a Escola de S. Miguel, bem como as Secundárias da Sé e Afonso de Albuquerque, puderam participar do evento. Estiveram presentes os técnicos que formam as Equipas Multidisciplinares que trabalham nas Escolas de Referência (Professores do ensino especial, Interpretes de LGP, Formadora de LGP, Terapeuta da fala, Psicólogos e Médico), bem como representantes das Associações de Pais, da DREC, da Segurança Social, da Câmara Municipal da Guarda e do Governo Civil. Teve como moderadores Leontina Lemos e Helder Coelho.
Na ordem de trabalhos, muitos foram os pontos focados, sendo a falta de tempo o maior limite da discussão. Procurou dar-se uma perspectiva do papel de cada elemento das equipas, assim como uma nota introdutória ao tema segundo um ponto de vista médico. Como se procede à verdadeira inclusão das crianças no ensino regular, os obstáculos enfrentados ao longo dos anos e os ainda existentes. A importância das Unidades de Surdos, depois reconvertidas a escolas de referência. A experiência dos técnicos na sua abordagem e a falta de continuidade no acompanhamento aquando da partida dos alunos para o Ensino Superior. Os resultados conseguidos, os interesses e as dificuldades destes jovens. A falta de formação dos professores que leccionam nas turmas, o que condiciona muitas vezes resultados menos optimizados. Tendo sido também abordado a importância do implante coclear e as repercussões que este procedimento pode ter na vida das crianças, assim como o peso social a que as famílias estão sujeitas.
A jovem plateia mostrou-se sempre bastante animada e participativa, tendo levado como mensagem final a importância de um ensino integrado de crianças com surdez, em escolas regulares desde que com o apoio de todos os profissionais. O peso que a comunidade representa, o papel fundamental da Família, das Associações de surdos e das relações dentro do grupo. No caminho Futuro da melhoria das vidas destes jovens está certamente uma escola inclusiva.
A tarde terminou com a peça “Auto da Barca dos Esquecidos” levada à cena pelos alunos surdos e ouvintes das Escolas Secundárias da Sé e Afonso de Albuquerque.
No dia 22 de Maio a cantora e Interprete de LGP Paula Teixeira trouxe ao Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda o espectáculo Som & Silêncio, onde de forma didáctica associa a música e a Língua Gestual Portuguesa, esgotando por completo os lugares sentados.»

Despertar do Silêncio
Associação de Surdos da Guarda

Publicada por Salete Bento

sábado, 15 de maio de 2010

Reflexões sobre a inclusão


Quem leu o livro “ Pode a Educação Especial deixar de ser especial?” de João Lopes e J.Kauffman, não pode ficar indiferente às questões e evidências aí  retratadas da designada Escola Inclusiva.
A educação inclusiva é uma questão pública em todo o mundo e também controversa, como referiu Gordon Porter, na Conferência Internacional de Educação Inclusiva, em Setembro de 2009,no Centro Cultural de Belém. Apesar de muitos países adoptarem a linguagem de inclusão, a verdade é que  nem sempre a realidade está presente.
Porque é assim?
O conceito de inclusão é simples, existindo em todos nós uma consciência de aceitação das diferenças e o reconhecimento dos direitos dos alunos com deficiência receberem uma educação de qualidade, idêntica à dos restantes alunos.
No entanto há constrangimentos e dificuldades à sua integração, uma vez que a escola se depara com problemas ao nível da concretização de um ensino diferenciado, da definição dos vários papeis que se encontram relacionados com a Educação Especial, da classificação e categorização dos alunos com NEE, aspecto muito importante numa intervenção, da formação inicial/especializada e contínua dos profissionais, da aceitação dos seus pares, do envolvimento familiar, etc, comprometendo o processo e sob pena de reforçar o estigma da deficiência.
Os profissionais reagem com alguma apreensão e ansiedade à presença dos alunos com NEE na sala de aula, porque, na maioria das vezes, ignoram o que eles precisam e não sabem os métodos  a adoptar e os meios a utilizar. Assim, esperam dos serviços de educação especial as ferramentas, técnicas e estratégias que os ajudem a lidar com os problemas e promovam as competências dos alunos, reduzindo o estigma da deficiência.
Outro dos problemas que afecta e com que se debate a educação especial é a falta de clareza na sinalização, uma vez que o número de alunos com dificuldades de aprendizagem aumentou exponencialmente, passando a estar incluídos na educação especial. Com o actual enquadramento legal, as acções de acompanhamento a estes alunos é efectuado através de medidas do desp. 50/2005, desp. 1/2006 que permitem a diversificação curricular,  e que visam promover o sucesso escolar.
Para os alunos com necessidades especiais  que precisam de recursos especializados de atendimento à sua especificidade, definidas no dec lei 3/2008 como  “ ... alunos com limitações significativas ao nível de vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais, de carácter permanente, resultando em dificuldades continuadas ao nível da comunicação, da aprendizagem, da mobilidade, da autonomia, do relacionamento interpessoal e da participação social” a educação especial deve ter como objectivo responder a essas limitações que decorrem de uma condição de saúde.
 A não clarificação do conceito de necessidade educativa especial conduz a que muitos dos recursos sejam transferidos para alunos que necessitam de outro tipo de apoios, prejudicando aqueles que na realidade precisam de respostas diferenciadas e adaptadas às suas especificidades.
Na minha opinião, há uma questão fundamental que é preciso resolver: encontrar os mecanismos e instrumentos que permitem fazer uma sinalização correcta e adequada à realidade, afim de uma intervenção eficaz. 

Publicada por Salete Bento

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Associação Despertar do Silêncio comemora 10 anos


 Ao longo deste ano, a Direcção da Associação Despertar do Silêncio da Guarda comemora o seu 10º aniversário com diversas iniciativas.


Publicada por Salete Bento